Liberdade

Liberdade
É um bairro negro
São Paulo
Tebas
Foi o arquiteto negro
Que te embelezou
São Paulo,
Amada pelo poeta Oswaldo de Camargo
São Paulo,
Reverenciada pela grande cronista
Ruth Guimarães
São Paulo,
Antes de ser Bexiga
Foi Quilombo Saracura
São Paulo
De André
De Antônio
Os Rebouças
Os meninos
Baianos
Que te modernizaram
São Paulo,
Conte sua história
De uma
São Paulo
Negra
Conte a história
Feita por
Mãos negras
Conte a história de
Embu das Artes
Que levou nomes como
Anita Malfatti
Mas foi solo de
Trindade
Nestes quatrocentos e setenta e dois anos
Conte a história
Da terra indígena que foi/és
Do Anhangabaú, que antes de ser
Espaço cultural e político
Era/é ribeirão e que surge como Saracura
Fluindo ao longo da 9 de Julho antes do
Vale, alcança o Rio Tamanduateí
Conte a história
Que antes de ser São Paulo,
Era Inhapuambuçu
E, muito mais…
São Paulo é chão indígena
Erguida por muitos/as negros/as
E em cada canto,
Tens, alma e corpo
Indígenas e negros
Mas, não
Ostentas.
Por isso,
Ainda é
Preciso dizer:
“Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós e que a voz da liberdade seja sempre a nossa voz.”


Sara Araújo (Salvador, Bahia) tem 46 anos, é bacharel em Direito, licenciada em Ciências Sociais, pós-graduanda em História da África e da Diáspora Atlântica, Analista Jurídica da Defensoria Pública do Estado do Paraná. É palestrante, sommelière de cervejas, ganhadora  do Prêmio Zumbi dos Palmares (2017) pela Câmara de Vereadores de Bauru (SP), integrante da Comissão Étnico Racial Lélia Gonzáles da Associação dos servidores/as da Defensoria Pública do Estado do Paraná, colaboradora do NUDEM – Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres, do GT de Racialidae da Defensoria Pública do Paraná, do GT de Diversidade da ABRACERVA e integrante do coletivo Expressão Poética desde 1999. Coautora das seguintes obras: Poetas Virtuais (2000) Poêmico – Poesia em tempos pandêmicos (2021) Mãe Pretas – Maternidade Solo e Dororidade (2021) Expressinho Poético (2022) e Quando o Racismo bate à porta (2023). É colunista da Revista Philos e você pode encontrar-la nos perfis @araujojsara e @literaturanobar no instagram!

As obras que acompanham o poema são do artista Marcos Cardiano, “Alforria não é liberdade” (2021).

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Publicado por:Philos

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